Expedição cordilheira Blanca, no Peru.

Um pouco de História
A cordilheira blanca não estava na lista, mas para quem não sabe adoro fazer trilhas.
Conheci alta montanha ao fazer o curso básico de montanhismo no CAP – Clube alpino Paulista e com a convivência com o pessoal descobri que existia um mundo novo até então desconhecido.
Em 2009, me aventurei para a maior montanha fora do Himalaia (Aconcágua 6962 m).
Vou contar sobre ela em outro blog.
No ano de 2010, eu e meu amigo Alexandro estreamos na modalidade de expedição indo para Huaraz, no Peru.
Huaraz
Huaraz é considerada a capital sul-americana da escalada e alta montanha, base para exploração de trilhas como a Laguna 69, Lagos Llanganuco e Laguna Churup, que está dentro do Parque Nacional de Huascarán.
A Cordilheira Branca é uma amostra do Himalaia com paisagens naturais, trekkings e montanhas incríveis.
Ela faz parte da cordilheira dos andes e Patrimônio Natural da Unesco desde 1985.
A cidade tem aproximadamente 130.000 habitantes e concentra os hotéis, restaurantes e a melhor infraestrutura turística da região.
QUANDO IR
A melhor época do ano para visitar Huaraz e a Cordilheira Blanca é entre Abril e Setembro, quando é frio e sem chuva.
O pico entre junho e julho. Prefiro ir em Agosto onde o tempo ainda é ótimo, poucas pessoas e o custo é uns 30% menos.
COMO CHEGAR EM HUARAZ
O ponto de partida é a capital do Peru, Lima, depois é só pegar um ônibus.
São aproximadamente 400 KM, 8 horas, US$ 28,00, fomos pela Cruz del Sur.
Chegamos logo 7h da manhã e fomos para o hostel.
Huaraz está a 3.100 metros de altitude, então ficamos descanando e a tarde fomos andar pela cidade.
Fomos andar pela cidade e devido à altitude foi um pouco difícil, praça das armas, igreja etc.
Lugares acima de 3000 metros é fundamental ter tempo para aclimatação.
Como tinhamos planos de tentar motanhas acima de 5.000 precisamos fazer aclimatação.
O passeio mais famoso para aclimatar é ir a Laguna Churup.
Pegamos uma Van que sai perto do mercado, junto a um posto de gasolina, a linha é para a villa de Llupa.
Se tiver vários turistas e pagar um pouco mais, eles vão até Pitec.
Pitec é a entrada da trilha que a partir daí são mais ou menos 3 horas de trekking subindo.
Aqui é onde a altitude esta presente, a lagoa está a 4350 metros.
Na volta fomos andando até a vila para pegar a van de volta para Huaraz.
Como a intenção era subir a montanha Pisco 5.752 metros precisávamos de mais aclimatação.
Então fomos fazer a trilha Quebrada Santa Cruz a Llanganuco.
Trekking Quebrada Santa Cruz a Llanganuco
Esta trilha na cordilheira blanca tem as mais incríveis paisagens.
Por consequência esta está em várias listas como uma das mais bonitas do mundo e com certeza é um dos 3 mais bonitos da América do Sul.
São aproximadamente 50 km iniciando em Cashapampa (35 km ao norte de Caraz).
Dia 1: Huaraz – Cashapampa – Llamacorral
Saímos de Huaraz e fomos para Cashapampa a 2.900 m pelo caminho do vale do Callejón de Huaylas
Em Cashapampa começamos a subir abruptamente por aproximadamente 2 horas e depois a subida alivia, mas continua a subir ao longo da Quebrada Santa Cruz até o acampamento em Llamacorral 3750 m.
Veja este artigo da BBC travel sobre esta trilha.
Dia 2: Llamacorral – Taullipampa
O dia foi de uma subida leve mais constante, passando pelo lago Jatuncocha.
A paisagem é envolvida pelas montanhas Artseonraju, Rinrijirca, Quitaraju e Alpamayo, dos dois lados da trilha.
Já quase chegando ao acampamento, fizemos o desvio para ver de perto o Alpamayo.
Voltamos a trilha principal e chegamos no acampamento Taullipampa 4250m
Do acampamento temos uma visão privilegiada da montanha Artesonraju que é o símbolo da Paramount Pictures.
Dia 3: Taullipampa – Passo Punta Unión – Paria
Subimos continuamente por aproximadamente 3 horas por uma trilha até o Passo Punta Unión 4750m. Ponto mais alto da trilha.
Do passo temos uma visão completa de toda a caminhada e as majestosas montanhas.
Depois do esforço da subida houve uma longa descida em direção ao vale Huaripampa para acampar em pária 3890m.
Dia 4: Paria – Vaquería – Passo Portachuelo de Llanganuco – Cebollapampa
Uma caminhada tranquila pelo vale da Quebrada Huaripampa, onde passamos pequenos vilarejos, fazendas, etc. No final subimos por aproximadamente uma hora até Vaqueria 3700m.
Esperamos quase 1 hora e nosso transporte chegou para nos levar para Cebollapampa.
O Passo Portachuelo 4767 m desce uma estrada íngreme em zigue-zague . Antes de chegar ao lagos de Llanganuco, paramos em Cebollapampa.
Descansamos e comemos e logo saímos para uma subida super íngreme para o acampamento base do Pisco.
O acampamento está a 4.700 metros de altitude.
Jantamos e fomos descansar, pois o dia de cume começa à meia-noite.
Escalada a montanha Pisco.
Uma das montanhas mais famosas da cordilheira Blanca é o Pisco.
Devido à má aclimatação o Alessandro não pode ir na tentativa de chegar ao cume.
Eu e meu guia partimos para o cume a 1:00 hora da manhã,
O começo foi uma subida muito íngreme na costa da montanha.
Do outro lado era uma descida muito difícil, pois era a lateral da montanha desbarrancada, muito perigoso além de estar a noite.
Só foi ficando pior quando chegamos na moraina. Foi uma das mais difíceis e longas.
Para quem não sabe. Uma moraina é material deixado para trás por uma geleira em movimento. Este material é geralmente solo e rocha. Assim como os rios carregam todo tipo de detritos e sedimentos, as geleiras transportam todo tipo de sujeira e pedregulhos que se acumulam para formar moraina.
Isto dificulta muita a chegada ao geleira, porém por volta das 4 horas chegamos no início do gelo.
A subida é bem puxada, mas salvo alguns momentos, não é nada técnica.
Chegamos ao cume antes do nascer do sol. Ficamos até as 8:00 e iniciamos a descida, chegando ao acampamento base antes do meio-dia.
No outro dia pegamos a trilha de volta que passa na Laguna 69 (4.650metros) até cebolhapampa e pegamos um carro para Huaraz.
Dia 6 – Caminho de volta pela trilha que leva a Laguna 69
Após o descanso merecido, voltamos pelo caminho que leva a laguna 69.
Foi um dia de descida tranquilo.
Chegamos a Cebolhapampa e pegamos o transfer para Huaraz, mas antes passamos pela lagos de Llanganuco.
Caminho de volta pela trilha que leva a Laguna 69
Huaraz – Descansamos dois dias em e fomos para montanha Vallunaraju.
Dois dias de descanso e recuperação e fomos para o último desafio.
Pegamos um carro até Llaca vale, onde começa uma das subidas mais íngreme que já fiz.
Do início até o acampamento Morrana (acampamento-base 4760 m) leva de 2 a 3 horas dependendo de sua condição física.
Na subida é muito claro o efeito do aquecimento global. Dá para ver claramente o afastamento da geleira.
Descansamos e saímos às 4:00 horas para o cume. Desta vez o Alessandro estava bem e pode ir ao cume.
Após andar apenas 30 minutos entramos na parte de gelo. Foram umas 3 horas até o cume.
A caminhada foi tranquila só a chegada ao cume tem um pouco de técnica, mas é bem tranquila.
Chegamos de volta ao acampamento base as 11 horas, almoçamos e descemos até o final da trilha e pegamos um carro até Huaraz.
Descanso em Huaraz e uma visita a Chavin.
Os desafios terminaram. Agora é só passear.
Chavín de Huantar, é um sítio arqueológico e cultural, está a 3.150 metros de altura, na parte alta do vale do rio Mosna.
É composto por dois corpos em forma de pirâmides reclinadas um sobre o outro.
Foram erguidos em um vasto sistema de plataformas que abrigam um labirinto de 14 galerias.
O templo tornou-se um importante local de peregrinação, que ajudaram a difundir o estilo artístico de Chavín.
Ele fica entre a cordilheira oriental (Cordilheira Negra – sem neve) e ocidental (Cordilheira Branca – nevada) na cordilheira dos Andes.